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Pesquisas - Artigos

Quando um bebê ou uma criança não abraça

Reportagem: Fernanda Diniz Aleixo
email: fernandaaleixo@directnet.com.br / www.2ponto8.com.br

Quando um bebê ou uma criança não abraça, não fixa seu olhar nos olhos dos outros, não estabelecendo contato visual ou não responde a demonstrações afetivas ou ao tato, seus pais devem se preocupar. Esta falta de resposta pode estar acompanhada de inabilidade para comunicar-se e de uma incapacidade para estabelecer algum tipo de relação social.

Muitas crianças não demonstram a preferência que teriam por seus pais em relação a outros adultos e não desenvolvem amizade com outras crianças. "A capacidade para falar e comunicar-se com outros é muito pobre e, em certas ocasiões, não existe. Estas crianças não utilizam as habilidades verbais e não verbais, expressões faciais ou gestos, como veículo de comunicação nas relações interpessoais. Quando uma criança apresenta estes sintomas, um dos diagnósticos que o psicólogo irá considerar será o de autismo infantil", explica a psicóloga e psicopedagoga Cristiane Steele Santos Gonçalves.

A criança autista não desenvolve relações normais com os objetos que a rodeiam. Demonstra relações extremas para com os objetos, que tanto podem ser uma total falta de interesse, como pelo contrário, uma preocupação de forma obsessiva com eles. "Por exemplo, uma criança autista, cuja cama foi trocada de lugar em seu quarto, pode reagir com espanto, através de choro ou gritos. Objetos que se movem ou giram, como o ventilador, podem fasciná-lo. A criança pode formar um vínculo pouco comum com certos objetos inanimados, como uma corda, uma tira de borracha ou um braço solto de um boneco, etc", orienta a Terapeuta Ocupacional Júlia de Melo Chiste.

Outra característica do autismo infantil é a tendência de levar a cabo, atividades repetidas e de alcance limitado. Pode-se ver a criança dar voltas ou efetuar movimentos rítmicos do corpo como dar palmadas ou movimentar circularmente as mãos. As crianças autistas que apresentam um nível de funcionamento mais avançado, podem repetir quase que automaticamente, os anúncios comerciais que vêem na televisão ou também executar rituais complexos na hora de deitar-se. Aqueles pais que suspeitam de autismo em seus filhos, devem pedir a seu médico de família ou pediatra que lhes indiquem um psiquiatra infantil. Este profissional pode diagnosticar com maior certeza o autismo, determinar seu grau de severidade e, além disto, recomendar um tratamento adequado.

Segundo a Fonoaudióloga Renata Vilela Celeste de Azevedo, o autismo é uma doença. A criança autista pode ter um problema sério e incapacitante, de caráter permanente. Sem dúvida, com tratamento e treinamento apropriados, algumas crianças podem desenvolver certas destrezas que lhes permitam obter um maior grau de independência em suas vidas. Os pais devem estimular e apoiar a criança no desenvolvimento dessas destrezas, principalmente naquelas que ela use suas habilidades, de maneira que possa sentir-se melhor consigo mesma.

É necessério procurar ajuda profissional para tratamento e acompanhamento do autista e seus familiares. Além de trabalhar com a criança autista, o profissional pode ajudar a família a resolver situações de tensão, como por exemplo, o sentimento que tem os irmãos de que estão sendo abandonados e de que seus pais preferem a criança autista, ou ainda, por sentirem-se envergonhados para trazer amigos à sua casa. O profissional pode ajudar os pais que apresentem problemas emocionais surgidos como resultado do convívio com o filho autista. Também pode ajudá-los a providenciar um melhor ambiente em que seja possível oferecer todo o cuidado carinhoso e estímulos necessérios para o autista obter uma melhor aprendizagem.

Sintomas e sinais da conduta de um autista:

Dificuldade de relacionamento com outras crianças
Riso inapropriado - aquele risinho constante, como se os à sua volta estivessem a fazer qualquer coisa engraçada, ou gargalhadas tipo "arrasa-quarteirão", sem nenhum estímulo, em reação desproporcional ou inadequada
Pouco ou nenhum contato visual
Aparente insensibilidade à dor
Preferência pela solidão, modos arredios
Rotação de objetos
Inapropriada fixação em objetos - apalpando-os insistentementemente, mordendo e os mantendo junto ao corpo
Perceptível hiperatividade ou extrema inatividade
Ausência de resposta aos mátodos normais de ensino
Insistência em repetição; resistência à mudanêa de rotina
Não aparentam real medo do perigo, sem a consciência de situações que envolvam perigo
Procedimentos com poses bizarras - fixar objetos ficando de cócoras; colocar-se de pé numa perna só; impedir a passagem por uma porta, somente liberando-a, após tocar os alicerces de uma determina maneira
Ecolalia - repete palavras ou frases em lugar da linguagem normal
Recusa colo ou afagos
Age como se estivesse surdo
Dificuldade em expressar necessidades, costuma gesticular e apontar em lugar de usar palavras
Acessos de raiva, demonstra extrema aflição sem razão aparente
Irregular habilidade motora. Pode não conseguir chutar uma bola, mas pode arrumar peças em blocos.
Cristiane Steele Santos Gonêalves - Psicóloga e Psicopedagoga

Renata Vilela Celeste de Azevedo - Fonoaudióloga

Júlia de Melo Chiste - Terapeuta Ocupacional

Estes profissionais encontram-se em nossa lista de especialistas

 

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