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Pesquisas - Artigos

Câncer Infantil

Reportagem: Fernanda Diniz Aleixo
email: fernandaaleixo@directnet.com.br / www.2ponto8.com.br

Hoje, a pediatria oncológica tem como principal objetivo o acompanhamento de crianças acometidas por neoplasias (câncer), desde as mais graves, como na prescrição de tratamentos menos agressivos para as crianças com um diagnóstico mais favorável de câncer. Pretende-se dessa forma, atingir o mínimo de toxicidade possível nos tratamentos realizados nestes pacientes.

É exatamente isso que faz um grupo de quatro médicos de São José dos Campos; eles se reónem diariamente para discutir casos de crianças com câncer que chegam aos seus consultórios. "O maior objetivo do grupo é facilitar o trabalho do profissional e conseguir meios para que essas crianças não sofram tanto com o tratamento. Em nosso serviço também atendemos pacientes do SUS", esclarece um dos médicos do Grupo, Marcelo Miloni Silva.

É considerado câncer na infância toda neoplasia maligna que acomete indivíduos menores de 15 anos. Embora seja a terceira causa de óbitos na infância, perdendo apenas para mortes violentas (acidentes, homicídios) e doenças freqüüentes no desenvolvimento infantil (diarréia, pneumonia, etc.), o câncer infantil é considerado doença rara.

Sabe-se que 70% das neoplasias da infância já são passíveis de cura. A incidência anual de neoplasias na infância é de 12/100.000 para crianças brancas e 9/100.000 para crianças negras. (Bacarat, Fernandes e Silva, 2000).

Exemplos mais comuns de Câncer Infantil são as leucemias e os vários tumores embrionários como o Neuroblastoma, Tumor de Wilms, o Retinoblastoma e o Hepatoblastoma, que acometem mais os lactentes e os prâ-escolares. Também merece destaque, a doença de Hodgkin, tumores gonodais ( testículos e ovários) e tumores Àsseos, que por sua vez aparecem com maior freqüência nos adolescentes.

Tumores do Sistema Nervoso Central " SNC:

São os mais freqüentes tumores sólidos da criança e a segunda neoplasia mais comum da infância. Sua incidência é de 3, 3 casos para cada 100.000 crianças até 15 anos de idade. Segundo o pediatra Marcelo Miloni, esses tumores raramente se disseminam fora do SNC.

São caracterizados pelo aumento da pressão no interior do crânio levando á síndrome de hipertensão intracraniana (HIC) e ao comprometimento de estruturas cerebrais próximas da região do crescimento tumoral.

No exame clínico, a hipertensão intracraniana se apresenta com os seguintes sintomas:

Cefaléia frontal ou occipital, mais intensa pela manhã e que se torna progressivamente constante;
Vômitos muitas vezes não precedidos de náuseas;
Estrabismo e outras alterações visuais causadas pela paralisia de nervos cranianos;
Aumento anormal do crânio nas crianças com menos de dois anos de idade;
Distórbios de comportamento, o qual pode ocorrer precocemente.
O diagnóstico desses tumores requer exames neuro-radiológicos, principalmente a tomografia computadorizada e a ressonância nuclear magnética, que dão melhor visualização. Mas deve-se lembrar que como em qualquer outro caso de diagnóstico de tumores, esse apenas poderá ser afirmado com absoluta certeza através de um exame histopatológico (biópsia) realizado durante o ato cirórgico, para que assim seja determinado a natureza neoplásica do tumor. O tratamento dos tumores do SNC geralmente é feito através de ablação cirórgica, seguido ou não de radioterapia e/ou quimioterapia.

Tumor de Wilms:

É o tumor renal maligno primário mais comum em crianças e compete com o neuroblastoma como a mais freqüente causa de massa abdominal maligna em menores de cinco anos de idade. Estima-se que uma em cada 10.000 crianças desenvolva o tumor. A principal manifestação clínica é a presença de massa palpável descoberta pelo pediatra num exame de rotina ou pela própria família.

Geralmente a massa não traz sintomas; outras vezes, pode vir acompanhada de dor abdominal, que é o segundo sintoma mais freqüente. Pode-se observar presença de sangue na urina, hipertensão arterial nessas crianças e ainda febre e perda de peso, que surgem em cerca de 30% dos casos.

O tumor de Wilms é uma neoplasia que apresenta taxas de sobrevida superiores a 90%, o que é decorrente do aprimoramento das tâcnicas cirórgicas e de sua excelente resposta á quimioterapia e á radioterapia.

Grupo de Oncologia - Dr. Marcelo Miloni Silva

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