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Pesquisas - Artigos |
Você
come pelo nariz ?
Então acho que também não dá para
respirar pela boca, não é?
28/12/01 A função respiratória
normal se faz por via nasal desde o nascimento e assim o deve
ser pelo resto de sua vida.
A respiração nasal assume papel protetor dos
seios da face, do ouvido e das vias aéreas inferiores,
uma vez que as fossas nasais promovem a filtragem, o aquecimento
e o umidecimento do ar inspirado. Além disso é
na cavidade nasal que se encontra a primeira barreira imunológica
defensora contra agentes externos agressores.
Para que haja respiração nasal é imprescindível
que haja um bloqueio na passagem do ar pela cavidade oral,
ou seja, é necessário que a boca se feche em
algum ponto. Normalmente, isto ocorre anteriormente pelo vedamento
dos lábios. Este selamento também pode ocorrer
pela língua, tendo contato com algum ponto do palato
(céu da boca). Caso não haja selamento em nenhum
ponto, teremos a respiração bucal ou mista,
que é a mais encontrada.
Portanto, a respiração passa a ser bucal ou
mista, quando o órgão que deveria ser responsável
por ela, no caso o nariz, não a está conseguindo
fazer; ou quando a musculatura da boca não tem força
necesséria para vedar os lábios.
Vejamos agora, quais as possíveis causas da
Respiração Bucal:
adenóides em tamanho desproporcional,
amígdalas em tamanho desproporcional,
desvio de septo,
alergias variadas,
musculatura fraca (hipotônia), propiciando postura de
boca aberta com a língua mal posicionada,
outras causas.
Quando se constata, através de exames médicos
otorrinolaringológicos, impedimento à passagem
do ar pela cavidade nasal devido a problemas orgânicos,
chamamos essa respiração de respiração
bucal orgânica; quando o indivíduo apresenta
uma respiração bucal sem causa orgânica,
então este é o respirador bucal vicioso.
A respiração bucal não deve ser considerada
uma alternativa e sim uma condição doentia.
As queixas mais encontradas nos respiradores bucais
são:
falta de ar,
CANSAÇO,
dor nas costas,
diminuição do olfato e/ou paladar,
halitose,
boca seca,
acordar durante a noite engasgado,
DORMIR MAL,
espirrar saliva ao falar,
problemas de oclusão dentária,
voz rouca com hipo ou hipernasalidade,
mau funcionamento dos órgãos fonoarticulatórios,
PROBLEMAS POSTURAIS,
INQUIETAÇÃO,
deformidades faciais,
alterações na membrana timpénica,
DIMINUIÇÃO DA AUDIÇÃO,
sinusites frequentes,
otites de repetição,
FALA IMPRECISA,
DIFICULDADES DE ATENÇÃO, CONCENTRAÇÃO,
DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM (DIFICULDADES ESCOLARES),
MUITO AGITADOS OU MUITO QUIETOS,
comem muito rápido ou muito devagar (por vezes não
querem comer),
lábios ressecados,
lábio inferior mais volumoso que o superior,
cara de sono (olhos pequenos, caídos, boca aberta,
bochechas caídas),
dentre outras...
Os sinais que estão descritos com letra maiúscula,
são sinais que podem comprometer o bom desenvolvimento
da aprendizagem da criança. Assim, devemos estar atentos
para estas manifestações a fim de minimizarmos
o quanto antes a causa destes sintomas.
Como o nariz não está funcionando adequadamente,
o ouvido passa a não ser arejado como deveria. As funções
auditivas de: localização, discriminação,
reconhecimento, figura-fundo e organização (seqüência)
ficam prejudicadas, favorecendo assim a uma certa imaturidade
auditiva, impossibilitando ou atravancando o bom desenvolvimento
da linguagem e da aprendizagem.
Esta imaturidade auditiva e inabilidade das funções
é denominada de Desordem de Processamento Auditivo
Central, onde a criança em geral, escuta bem, mas não
"sabe o que fazer" com o que está ouvindo
. Numa situação de duas ou mais fontes sonoras,
ela não sabe em quem prestar atenção,
tem dificuldade de concentração, não
sabe priorizar um som. Como os sons da nossa língua
apresentam traços bem próximos uns dos outros,
ela não consegue discriminá-los, reconhecê-los,
e assim produzi-los adequadamente.
Como é difícil para essa criança selecionar
o som que deseja e precisa prestar atenção,
ela passa a ficar inquieta ou muito quieta; na verdade, é
como se estivesse "atordoada" com a dificuldade
de se concentrar num determinado som ou mensagem.
É importante lembrar que a Respiração
Bucal não é a única causa de Desordem
de Processamento Auditivo Central, mas é uma causa
bem significativa, já que a incidência de crianças
com alterações respiratçrias e consequentes
crises de infecções de ouvido é bem grande.
O tratamento médico, nos casos de alterações
orgânicas, pode ser medicamentoso ou até cirúrgico.
Independente disso, é imprescindível que o respirador
bucal faça um tratamento fonoaudiológico, afinal
de contas, a musculatura do nariz e da região bucal
tem que aprender como trabalhar. É como se tivéssemos
que imprimir uma nova mensagem ao cérebro "ATENÇÃO!
FECHAR A BOCA, LIBERAR E USAR O NARIZ" e isso requer
muito exercício e força de vontade.
Nunca é tarde para melhorar sua condição
de vida. Por isso, se você se enquadra nestas características
(é claro que você não precisa apresentar
todas elas), tome providências! Não se deixe
acomodar com a situação, porque alguns sintomas
mais tarde poderão ser de difícil tratamento
ou até irreversíveis.
"Aprender a respirar talvez signifique aprender a acontecer"
(GAIARSA, apud BRANDI, 1996)
Adriana Ferreira Castello - Fonoaudióloga
Este profissional encontra-se em nossa lista de especialistas
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