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Pesquisas - Artigos |
Postura,
todo cuidado é pouco!
Reportagem: Fernanda Diniz Aleixo
email: fernandaaleixo@directnet.com.br
/ www.2ponto8.com.br
Composta por 24 ossinhos móveis empilhados uns sobre
os outros, e movimentados por um conjunto de músculos,
a coluna é a viga mestra na delicada edificação
do corpo humano. É ela que nos sustenta em posição
ereta e propicia a mobilidade do tronco. Também funciona
como uma casca protetora para a medula espinhal - as estruturas
nervosas que levam e trazem informações de todo
o corpo para o cérebro. Com papel tão importante
a empenhar, é uma parte do corpo da qual não
se deve descuidar um minuto.
Na França, estudos mostram que três em cada
quatro crianças em idade escolar apresentam problemas
de coluna. Embora no Brasil, ainda não se tenha estatísticas
a respeito, os especialistas têm observado que é
cada vez maior o número de meninos e meninas que se
queixam de dores lombares nessa faixa etária. "A
falta de exercícios, o tempo que fica sentado na escola,
diante da TV ou do videogame, e posturas inadequadas são
as principais causas", observa o ortopedista infantil
Luiz Antonio Ângelo da Silva. A melhor maneira de prevenir
problemas futuros é cercar de atenções
a coluna do pequeno, durante os três primeiros anos
de vida, quando ela se consolida.
Ponto frágil
Na fase intra-uterina, um tipo de material cartilaginoso
e extremamente flexível forma a coluna vertebral, permitindo
que o bebê coloque o pezinho na boca com a maior facilidade
- coisa quase impossível para um adulto que não
tenha habilidades de contorcionista. Depois do nascimento,
ela passa por um processo de consolidação e
crescimento. Sê que as vértebras - como são
chamados os ossos que a compõem - não crescem
no sentido do comprimento, como os demais: são como
círculos que aumentam de diámetro, expandindo-se
para os lados. Nessa fase, determinados movimentos podem causar
sérias lesões e devem ser evitados. "É
o caso das torções, resultado, por exemplo,
de rotações bruscas do pescoço, que podem
acontecer em brincadeiras onde a criança foi sacudida
ou chacoalhada", alerta o ortopedista Silva.
Um dos pontos mais vulneráveis é o pescoço,
na região das três primeiras vértebras
cervicais. Por isso, ao pegar o bebê, procure manter
sua cabecinha e seu pescoço bem protegidos. Uma forma
de garantir isso é segurá-lo na vertical, com
as costinhas apoiadas em você, enlaçando seu
peito com um dos braços e sustentando o bumbum na outra
mão. Quando ele já conseguir firmar o tronco
- o que ocorre por volta dos sete meses -, passe a enlaçá-lo
na altura dos quadris ou da cintura, para que possa exercitar
o equilíbrio, uma habilidade importante na hora de
começar a andar.
Curvas normais
Nos primeiros meses, olhando-se um bebê de perfil,
percebe-se que sua coluna é quase que totalmente reta.
Bem diferente da de um adulto, que descreve uma linha sinuosa,
formando três curvas: lordose cervical, cifose torácica
e lordose lombar. No bebê, essas curvas vão aparecendo
com o tempo, resultado de um trabalho feito por toda a musculatura
que envolve a coluna e que dá sustentação
aos ossos.
A tonificação dessa musculatura segue o ritmo
do desenvolvimento neuromotor da criança. até
os três meses, ela firma o pescoço e, com isso,
estimula os músculos da região. A partir dos
sete, é capaz de ficar com o tronco reto. Ao firmar-se
em pé e dar os primeiros passos, em torno de um ano,
estará exercitando todos os músculos ao longo
da coluna, do pescoço até o cóccix. A
partir desse momento se consolidam nela, as três curvas
fisiológicas normais.
Segundo o ortopedista infantil Luiz Antonio Ângelo
da Silva, quando nasce um bebê, o pediatra e sua equipe
já fazem uma avaliação minuciosa e na
presença de qualquer alteração ortopédica,
a criança deverá ser encaminhada a um ortopedista
infantil.
Estímulos
Ao longo de todo esse processo, você pode ajudar seu
filho a trabalhar a musculatura dorsal através de gostosas
brincadeiras e atividades corriqueiras. Tão logo ele
firme o pescoço, coloque-o deitado de bruços
e faça cócegas em suas costas, ou utilize qualquer
outro recurso que chame sua atenção para que
ele levante a cabecinha tentando ver o que se passa à
sua volta. Esse movimento estimula os músculos do pescoço
e do alto das costas, favorecendo a formação
fisiológica da lordose cervical.
Quando deitado de costas, o bebê tem o hábito
de puxar as perninhas para o alto, elevando um pouco o bumbum.
É uma ótima forma de exercitar e fortalecer
os músculos dos quadris e da pelve, que emolduram a
base da coluna e serão importantíssimos para
a sustentação da criança quando ela ficar
de pé e caminhar. Sempre que possível, encoraje
o bebê a repetir esse movimento, levando os pezinhos
dele em direção à boca ou fazendo cócegas
na planta dos seus pés.
Andar descalço sobre solo irregular - grama ou terra
- é uma maneira divertida de estimular a formação
da curvatura da sola dos pés. Uma criança com
pé chato ou plano, depois de quatro anos, tem tendência
a andar com os joelhos "para dentro" (pernas em
x). Essa postura pode levar a hipercifose - a curvatura excessiva
do dorso das costas, que precisa de tratamento.
Mais tarde, lá pelos três anos, os trepa-trepa
do playground estarão igualmente no rol das brincadeiras
indispensáveis. Subindo nessas estruturas, a criança
testa o equilíbrio e tonifica os músculos dorsais.
Fiquem atentos
Há vários problemas ortopédicos, em
geral de origem congênita, que, se não detectados
e corrigidos a tempo, podem causar danos à coluna vertebral.
Os principais são:
A Escoliose é o desvio lateral da coluna (vista de
frente, em vez de parecer um I, ela fica com a forma de um
S), sem causa aparente. Há três tipos de Escoliose,
classificados de acordo com a idade em que se manifestam:
a Infantil (um a quatro anos); a Juvenil (de quatro anos até
o início da puberdade); e a do Adolescente (a partir
do início da puberdade). Normalmente, o problema é
corrigido com o uso de coletes ortopédicos. Se não
der certo, é feita uma cirurgia para soldar as vértebras
na posição correta.
A Luxação Congênita de Quadril, geralmente
detectada nos primeiros exames feitos no recém-nascido,
se não for tratada logo, também pode evoluir
para uma escoliose.
Por esses motivos, os pais, ao perceberem qualquer alteração
na postura de seu filho, devem levá-lo ao pediatra,
que se achar necessário, indicarará um ortopedista
infantil para fazer uma melhor avaliação.
Dr. Luiz Antonio Ângelo da Silva - Ortopedista Infantil
Este profissional encontra-se em nossa lista de especialistas
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